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Cabo Bojador

26° 7' 33.6" N, 14° 30' 7.2" W

 

Conhecido por Cabo do Medo e considerado o limite dos mares navegáveis, tem por nome árabe Abū Khatar, que significa “o pai do perigo”. Por milhares de anos, as tempestades do deserto do Saara trazem areia para o mar, chegando a algumas ilhas Canárias, sendo talvez esta uma das causas para que a uma distância de 5 km da costa, a profundidade das águas seja de apenas 2 metros. Além disso, situa-se num recife perigoso de arestas afiadas. Todos estes factores conjuntamente com as lendas e superstições da época, faziam deste cabo um limite da Navegação: "… que depois deste cabo não há gente nem povoação alguma; a terra não é menos arenosa que os desertos da Líbia, onde não há água, nem árvore, nem erva verde; o mar é tão baixo que a uma légua de terra não há de fundo mais do que uma braça. As correntes são tamanhas que navio que lá passe jamais nunca poderá tornar.”

Infante D. Henrique, há muito que desejava conhecer além Cabo Bojador e por 12 anos consecutivos enviava embarcações com esse intuito, mesmo sendo grande a despesa nas suas próprias rendas. Recebia os seus capitães ao regresso ouvindo todos os relatos e prometendo melhores galardões a quem voltasse com informação acrescentada. Assim, em 1433, arma uma barca a que dá a capitania a Gil Eanes, natural de Lagos, mas este, tinha o mesmo temor dos seus antecessores e chega apenas às Canárias donde trouxe alguns prisioneiros para o seu reino. No ano seguinte, repete-se a armada. Infante D. Henrique conversa com Gil Eanes amenizando os temores provocados pelos ditos da época e encarregando Gil Eanes desta travessia. Assim foi, Gil Eanes prometeu a si próprio que não voltaria sem passar o cabo e cumpriu a promessa, tendo o Cabo sido atravessado em 1434. Parece que o cabo terá sido nomeado Bojador pelo próprio Gil Eanes, por muito bojar, mas não existem certezas.

A partir de 1450, este território é disputado entre Portugal e Espanha. A 4 de Setembro de 1479 é celebrado em Alcáçovas, no Alentejo, um Tratado (Tratado de Alcáçovas) em que, para por fim às guerras entre portugueses e espanhóis pela sucessão de Castela, os portugueses cederiam Castela aos espanhóis, bem como as Canárias e em contrapartida os Açores, Madeira e o Oceano Atlântico a Sul do paralelo do Cabo Bojador seriam apenas portugueses.

Este paralelo, aos 26ºN (Cabo Bojador), só poderia ser atravessado pelos portugueses sendo todas as descobertas a Sul do paralelo, automaticamente consideradas portuguesas, isto asseguraria que a rota para a Índia (que já se calculava consegui-la contornando África) pertenceria ao mar português. Este paralelo do Cabo Bojador foi válido até ao Tratado de Tordesilhas, pois quando Cristóvão Colombo descobriu "as novas Índias", ou seja, a América, Espanha pretendeu alterar a divisão do Oceano: em vez do paralelo, a divisão passaria a ser uma linha de pólo a pólo no Oceano Atlântico.

Não há atualmente dúvidas de que a descoberta de Colombo deu-se abaixo do paralelo do Cabo Bojador, o que daria a posse do território a Portugal, mas Colombo, grande estratega, desenhou o mapa de forma a que a descoberta fosse considerada a Norte, e sendo por isso de Espanha. A partir de então, a Este da linha definida no Tratado de Tordesilhas seria mar português e a Oeste seria espanhol.

Em 1860, Marrocos cede a Espanha território seu, pelo Tratado de Tetuán (Wad-Ras), a fim de dar por terminada a guerra entre ambos, onde fica incluído o território do Cabo Bojador, contudo, apenas em 1884 se torna oficial. Após a independência em 1956, Marrocos reclama a região e com a desconolização de África, em 1975 o Tribunal de Justiça Internacional votou sobre a questão do Sahara, entretanto invadida pelos marroquinos, tendo os espanhóis saído por completo em 1976 concordando na entrega da região a Marrocos e Mauritânea. Esta última renunciou a sua parte. Desde então tem havido várias discussões sobre a região do Sahara Ocidental onde tanto Marrocos como a Argélia a reclamam como seu território, sendo que existiram diversas propostas de ambos os países e das Nações Unidas para solucionar a questão mas nenhuma ainda foi satisfatória para ambas as partes.

A região do Cabo Bojador, pertence então a uma nova província chamada Boujdour e faz parte do Sahara Ocidental. É ligada a Norte com El-Aaiún por uma estrada alcatroada (N1), estrada essa que segue também para Sul ao longo da costa.

Foi cabo considerado limite de águas navegáveis, serviu de divisão do Mundo entre espanhóis e portugueses, disputado entre portugueses e espanhóis, cedido por Marrocos a Espanha, depois cedido por Espanha e disputado entre Marrocos e Argélia, é assim riquíssimo em história mas antes de toda essa história, foi atravessado pela primeira vez pelo corajoso lacobrigense Gil Eanes.

Obras consultadas

Sites:
- http://cvc.instituto-camoes.pt/
- http://www.diario-universal.com/
- http://www.ancruzeiros.pt/
- http://www.portalsaofrancisco.com.br
- http://www.emb-marrocos.pt
Livros:
- Crónica do Descobrimento e Conquista da Guiné - Gomes Eannes de Azurara 1493, Edição de 1851